CFO Alberto Vargas fala sobre as perspectivas econômicas da América Latina para 2023

Por: Clara Briggs

Neste começo de ano, é interessante fazer uma reflexão sobre o cenário econômico e como o mercado deve se comportar nos próximos meses. Assim sendo, Jorge Alberto Vargas, experiente CFO do mercado, nos trouxe a sua visão sobre o tema – que compartilhamos a seguir com nossos amigos, clientes e colaboradores.

Estamos vivendo uma alta da inflação não apenas no Brasil, mas em vários países da América Latina. Embora a evolução deste importante indicador varie de país para país, o tema está diretamente relacionado às questões da cadeia de suprimentos e às políticas fiscais dos governos, portanto passível de ser alterado ao longo do ano. Alberto explica que a intervenção dos Bancos Centrais, aumentando a taxa dos juros, está forçando o retrocesso da inflação na região, como foi o caso do Brasil que terminou 2022 com um índice de 5,8%.

Para melhor entendimento, é possível deflagrar alguns aspectos como vilões da inflação:

  1. Política fiscal: pode ocasionar o superaquecimento da economia caso os gastos planejados excedam a diferença entre o produto real e o potencial;
  2. Incrementos de impostos: medida adotada por alguns governos para alcançar equilíbrio nas contas;
  3. Desvalorização da moeda: interferência direta nas importações e exportações;
  4. Mudanças rápidas nas condições de oferta e demanda.

Segundo Alberto, uma inflação endêmica cria incertezas para os investidores que, então, exigem um prêmio de risco para desembolsar seu dinheiro. Alguns países com histórico de alta inflação regional têm custos de empréstimos extraordinariamente altos que, por sua vez, suprimem o investimento empresarial – esse fato poderia prejudicar o crescimento econômico e criar distorções na economia.

No âmbito internacional, há indícios de que a eficiência da cadeia de suprimentos esteja começando a melhorar. A produção industrial no Japão, Singapura e Coréia do Sul, por exemplo, voltou a crescer principalmente na produção de automóveis, prejudicada até então pela escassez de semicondutores. No Brasil, a produção industrial, ainda em baixa, deve ter uma recuperação, mas as políticas fiscais (taxas de juros e inflação) a serem implantadas precisam gerar uma confiança no setor privado para poder reagir de forma positiva. Dessa forma, entendemos que a situação ainda não está resolvida e precisa de trabalho dos bancos centrais e governos para conseguir estabilizar a inflação e juros.

É importante que os governos definam políticas fiscais que incentivem investimento, a fim de criar centros de serviços competitivos, estimular o Turismo, criar Hubs de inovação e, como consequência, ampliar a geração de empregos. As políticas fiscais não podem estar focadas na captação ou geração de maiores tributos e sim equilibradas, visando o desenvolvimento de cada um dos países da região.

Não há dúvidas que a pandemia gerou uma total desorganização da cadeia de suprimentos e um aumento da demanda global por vários itens. Nesse cenário, o aumento de preços das commodities, custos de insumos e de transporte foram inevitáveis, ocasionando um aumento acentuado da inflação no geral. Neste contexto, as empresas sofreram com a redução de suas margens de lucro, falta de insumos e alta complexidade na gestão do supply chain.

Para compensar o aumento dos custos, as empresas precisam equilibrar a precificação com a competitividade do mercado, o que não deixou de ser um desafio. Além disso, os incrementos nas taxas de juros pelos Bancos Centrais apertaram as condições monetárias, o que trouxe um stress maior à situação.

Diante do exposto acima, várias estratégias podem ser adotadas a fim de ajudar as organizações a permanecerem mais equilibradas financeiramente, independentemente de como a inflação, taxa de juros e a economia evoluam, como o sempre importante rigor sobre os custos, eficiência operacional, retenção de talentos, investimentos em tecnologia e automação, além do monitoramento constante dos KPIs internos e fatores econômicos de mercado. A inovação não pode ficar de fora, assim como o uso das ferramentas digitais, entendimento do cliente, clareza e transparência na gestão.

Sobre Alberto Vargas

Jorge Alberto Vargas é formado em Master Business Administration pela Universidade de Warwick na Inglaterra. Possui experiência em gestão financeira, planejamento, contabilidade, compliance e no desenvolvimento de equipes de alta performance. Já ajudou diversas empresas de diferentes portes a atingir objetivos de inovação, redução de custos e crescimento. Antes de morar no Brasil, trabalhou no México, Colômbia, Venezuela e Peru, sempre buscando entender a necessidade das empresas e a realidade econômica de cada país.