26Mar

O que é misoginia? Projeto de lei leva debate para as redes sociais

Com a nova legislação trazendo o tema à tona, especialistas explicam como a misoginia se manifesta no cotidiano

Senado aprovou por unanimidade o projeto de lei que define a misoginia — ódio ou aversão às mulheres — como um crime equivalente ao de racismo. O texto ainda seguirá para a Câmara dos Deputados.

PL prevê dois anos de prisão para injúria e um ano para discriminação ou incitação à misoginia. Em casos de injúria derivada de misoginia, a pena chegará a cinco anos de detenção.

O projeto altera a Lei do Racismo para incluir a misoginia entre os crimes de discriminação ou preconceito. A medida define punições específicas para condutas misóginas em dois níveis conforme a gravidade. Os crimes são inafiançáveis e imprescritíveis.

De acordo com o texto, será considerado discriminação “qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão da cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher“.

criminalização e o ponto de vista dos parlamentares levou o debate para as redes sociais, fazendo muitas pessoas se perguntaram o que é, de fato, a misoginia.

O que é a misoginia?

Metrópoles conversou com a psicóloga Regiane Herchcovitch. Ela explica que a misoginia é a crença, muitas vezes implícita, de que o masculino é superior ao feminino — o que se traduz em atitudes, comportamentos e até decisões que colocam a mulher em uma posição de menor valor.

“No dia a dia, a misoginia se manifesta de forma muito sutil, e é justamente aí que mora o desafio: muitas vezes, ela passa despercebida e acaba naturalizada”, comenta. “Não estamos falando apenas de grandes episódios, mas das pequenas coisas: quando a mulher é interrompida, desconsiderada ou julgada de forma mais dura do que um homem na mesma posição.”

profissional também detalha que lei é um avanço importante, porque dá nome e consequência a algo que, durante muito tempo, foi tratado como normal e aceito socialmente. “Mais do que uma questão legal, misoginia é uma questão de cultura, de educação e de responsabilidade coletiva.”

Na mesma lógica, Daiana Sousa, professora do curso de direito da UNICEPLAC e especialista em perspectiva de gênero e direito antidiscriminatório, reforça que a misoginia é um sistema alimentado socialmente de desvalorização, hostilidade ou aversão às mulheres e ao feminino. Trata-se de uma estrutura que organiza hierarquias de gênero, naturaliza a inferiorização das mulheres e legitima desigualdades.

“No dia a dia, essa lógica se expressa na descredibilização da fala das mulheres, no controle sobre seus corpos — especialmente em temas reprodutivos —, na objetificação e na penalização social mais severa para aquelas que rompem normas de gênero”, diz. “No campo institucional, a misoginia também se revela em decisões, políticas e até omissões que restringem direitos ou dificultam o acesso das mulheres à justiça e à saúde.”

A especialista em perspectiva de gênero salienta que a educação e a cultura são centrais nesse processo porque atuam diretamente na formação de valores e na forma como a sociedade enxerga as mulheres.

“É fundamental promover representações mais plurais das mulheres na mídia e incentivar práticas que valorizem a escuta e a legitimidade das experiências femininas”, emenda Diana. “Desconstruir a misoginia é um processo coletivo que exige revisão de valores, práticas e estruturas — não apenas no nível individual, mas em toda a sociedade.”

29Oct

Entregar valor é um objetivo comum entre as gerações, afirmam especialistas em RH

Executivas falam sobre convivência entre gerações, seus desafios e aprendizados no mercado de trabalho.

Pelo menos cinco gerações diferentes compartilham, atualmente, o mesmo ambiente corporativo. A observação é de Renata Filippi Lindquist, sócia da Soul HR Consulting, que apontou esse cenário como uma das maiores transformações do mundo do trabalho contemporâneo, durante a live exclusiva da Soul, que foi realizada no último dia 16/10, cujo tema foi justamente a convivência entre diversos perfis geracionais no mercado de trabalho. O conteúdo completo já está disponível no Youtube.

Entre os desafios dessa convivência, Lilian Sousa, diretora de DHO do Grupo Edson Queiroz, destaca o impacto da tecnologia, especialmente após os anos 2000, que afetou de maneiras distintas a geração X e os Millennials. “Eu sou da geração que viu o computador pessoal nascer e, hoje, convivo com os jovens que são praticamente nativos digitais”, destaca.

Outro ponto importante, segundo ela, é a mudança no valor atribuído ao propósito. “As gerações mais novas têm uma visão diferente sobre o valor social do trabalho”, explica Lilian.

Para Maria A. de Nonohay Schneider, VP de Gente e Sustentabilidade da Plurix (Pátria Investimentos), os choques geracionais e culturais são comuns, especialmente em contextos de fusões e aquisições. “A empatia e o diálogo são fundamentais para superar essas diferenças”, afirma a executiva, ressaltando que o profissional também pode sofrer o impacto de culturas regionais, distantes de grandes centros urbanos, como São Paulo, por exemplo.

Ainda sobre os desafios, Lucilene Rezende Scurato, diretora de RH da DHL, acrescenta que o turnover pode causar estranhamento em executivos mais seniores, acostumados a passarem, no mínimo, 10 anos em uma empresa.

“As gerações mais antigas ainda se surpreendem com a mobilidade profissional das novas gerações, que buscam aprendizado e propósito em diferentes experiências”, completa.

Como oportunidade, Lucilene ressalta que o foco não deve estar apenas na idade, mas sim na mentalidade e nas experiências de cada profissional. “Todos somos novatos em algumas coisas e veteranos em outras”, reflete.

Lilian complementa, e destaca que “o desenvolvimento de uma liderança inclusiva é essencial para promover a convivência e o trabalho em equipe dentro da diversidade”. Ela também enxerga aspectos positivos nesse novo contexto: “as novas gerações têm mais desenvoltura para se comunicar, se expressar e falar em público, algo menos comum em outras épocas.”

Para ela, a empatia e a entrega de valor são pontos de convergência entre todas as gerações. “Entregar valor é um objetivo comum. Todos querem agregar valor para a empresa e o trabalho, independentemente da geração ou idade”.

Confira o conteúdo completo no link.

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14Jul

Mais que tendência, promoção da qualidade de vida é caminho estratégico para a sustentabilidade das empresas

Por: José Antonio Coelho Júnior médico-cirurgião, pós-graduado em Gestão Estratégica, Liderança e Gestão de Negócios e presidente da ABQV – Associação Brasileira de Qualidade de Vida

Ao longo dos 30 anos de atuação da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), acompanhamos de perto a evolução da saúde e bem-estar nas organizações brasileiras. Com mais de 20 edições do Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida (CBQV), a formação de mais de mil profissionais por meio do MBA em Gestão Estratégica em Saúde e Qualidade de Vida Integrada ao Negócio e o impacto positivo em mais de 5 milhões de pessoas por meio de nossas iniciativas, consolidamos um entendimento profundo sobre as transformações e desafios desse ecossistema.

Mais do que uma tendência linear, o bem-estar nas empresas passa por ciclos contínuos de adaptação e evolução. E o ponto de partida está no comprometimento da alta liderança. CEOs e diretores de RH precisam ser os primeiros a compreender que saúde e qualidade de vida são fatores diretamente ligados à performance, engajamento e sustentabilidade do negócio. É essencial entender o que enfraquece a empresa: afastamentos, acidentes de trabalho, excesso de atestados, baixa produtividade. A análise e gestão estratégica desses indicadores, com liderança ativa do C-Level e execução qualificada pelos times de RH e Saúde, geram mudanças consistentes — redução de absenteísmo, controle da sinistralidade, retenção de talentos e melhora do clima organizacional.

Outro ciclo fundamental é o da adaptação cultural. Empresas com propósito claro e posicionamento social relevante só conseguem sustentar essa identidade quando seus colaboradores refletem esses valores. Isso exige um ambiente seguro, saudável e inclusivo, com liderança preparada e políticas bem estruturadas para sustentar um modelo de negócio com base sólida e perene.

O terceiro ciclo é o fortalecimento da liderança. A promoção genuína da saúde no ambiente de trabalho precisa começar pelo acolhimento e desenvolvimento da liderança. Quando líderes são preparados para escutar, apoiar e intermediar as necessidades de seus times, criam-se ambientes psicologicamente seguros e colaborativos. Esse processo precisa ser de mão dupla: tão importante quanto ouvir as equipes é criar canais para que a liderança também seja ouvida, fortalecida e equipada para liderar com empatia e consistência.

O quarto ciclo é a governança. Toda iniciativa precisa de estrutura, políticas claras, normas bem definidas e indicadores mensuráveis de engajamento, produtividade, absenteísmo, turnover. Comunicar esses dados com transparência — como dias sem acidentes, participação em programas de bem-estar ou número de ações realizadas — aproxima a estratégia da operação, envolvendo todos os níveis da organização.

Um elemento transversal a todos esses ciclos é o desafio geracional. Estamos prestes a vivenciar um momento inédito com até cinco gerações convivendo no mesmo ambiente de trabalho: baby boomers, geração X, millenials, geração Z e Alpha, com expectativas e formas distintas de se relacionar com o trabalho. A comunicação precisa ser diversa, abrangente, multicanal e inclusiva, atingindo tanto os nativos digitais quanto os migrantes digitais, garantindo compreensão e engajamento para todos.

Neste contexto, a ABQV se posiciona como uma parceira estratégica das empresas, com conhecimento e ferramentas para a implementação das melhores práticas e reconhecimento. O CBQV, que este ano chega a sua 23ª edição, é o maior espaço nacional de debate sobre bem-estar corporativo, reunindo especialistas, líderes e cases de sucesso. O Congresso será realizado de 6 a 8 de outubro, em São Paulo–SP, e terá como tema “ABQV 30 Anos Inovando a Prática da Qualidade de Vida nas Organizações”. O MBA Gestão Estratégica em Saúde e Qualidade de Vida Integrada ao Negócio, em parceria com o IESAPM, está em sua 18ª turma, preparando profissionais para implementar soluções sustentáveis e alinhadas ao negócio. O Movimento Gerar Bem-Estar (MGBE) impulsiona as empresas na promoção de ações concretas e transformadoras, e em dois anos impactou 227 mil trabalhadores com essas ações. Já o Prêmio Nacional de Qualidade de Vida (PNQV), reconhece e valoriza as organizações que lideram com responsabilidade e inovação. A premiação chega a 28ª edição, tendo premiado mais de 150 empresas e 2 milhões de vidas impactadas diretamente com saúde e bem-estar.

Mais do que acompanhar tendências, precisamos liderar movimentos. E a ABQV está pronta para caminhar ao lado das empresas nessa jornada de evolução, propósito e impacto positivo. Porque cuidar das pessoas é também cuidar do futuro dos negócios.

26May

Inclusão de pessoas surdas na Beiersdorf de Itatiba/SP coloca a fábrica no radar global da companhia

Por: Miguel Mercuri, Head of Human Resources at Beiersdorf

Com coragem e foco no cuidado genuíno, o time de RH deu vida ao projeto #CareBeyondVoice

Para além das obrigações previstas na legislação sobre inclusão de Pessoas com Deficiência, foi dado início a uma mudança concreta na cultura de diversidade da fábrica da Beiersdorf, casa de NIVEA e Eucerin International.

Após observar que a diversidade poderia estar mais presente no dia a dia da operação da unidade de Itatiba, cidade do interior de São Paulo, Miguel M., responsável pelo time de People, junto a sua equipe, desenvolveram o projeto #CareBeyondVoice com o objetivo de abrir caminhos e incluir pessoas com deficiência auditiva e/ou surdez nas rotinas da produção.

Atentos ao Cuidado em todas as etapas na jornada de implementação de #CareBeyondVoice, o primeiro passo se deu com o início da parceria com o Instituto Phala, organização que atende a comunidade surda na cidade de Itatiba. Referência no tema, o instituto oferece cursos de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e capacitações para pessoas com deficiência auditiva, preparando-as para o mercado de trabalho.

“Foi algo que aconteceu de forma natural quando notamos que em Itatiba havia essa demanda. Então, começamos a entender como poderíamos dar oportunidade às pessoas com deficiência auditiva e, para isso, precisávamos preparar a fábrica para recebê-las. Fizemos adequações básicas e, com isso, conseguimos promover mais diversidade e transformar a realidade da unidade’’, explica Mercuri.

Após esse período de preparação, dois intérpretes do Instituto Phala capacitaram e ensinaram Libras às lideranças e aos profissionais da operação já atuantes na empresa e outro stakeholders antes da chegada das novas pessoas colaboradoras com deficiência. “Fizemos isso porque todos precisavam se comunicar e esse período de capacitação também fez parte do projeto de inclusão. Ao todo, hoje temos 10 pessoas surdas atuando na manufatura, e nosso objetivo é contratar ainda mais”, destaca o executivo.

RECONHECIMENTO GLOBAL

O projeto ganhou destaque global na Beiersdorf quando a fábrica recebeu a visita de lideranças internacionais. “Recebemos nosso CEO Vincent Warnery, membros do board e executivos de outros países em nossa unidade e, ao apresentarmos o projeto, todos ficaram encantados. Ainda existe o estigma equivocado de que pessoas com deficiência produzem menos, mas a nossa experiência mostra exatamente o contrário: todos atuam em condições de igualdade, com o mesmo desempenho, dedicação e excelência que qualquer outro colaborador” relata Mercuri.

Rapidamente, o case de sucesso se espalhou. As lideranças globais passaram a enxergar a fábrica de Itatiba como uma referência em Diversidade e Inclusão em ambiente fabril e notaram que as ações poderiam ser replicadas em outras instalações da companhia ao redor do mundo.

Miguel M. e seu time então foram convidados a apresentar o projeto em Hamburgo, na Alemanha, sede global da Beiersdorf. “Quando começamos, nem imaginávamos receber todo esse reconhecimento, só queríamos fazer nosso trabalho com foco e seguir o compromisso com a diversidade. Tenho o DNA da diversidade em minha vida, sou imigrante venezuelano e faço parte da comunidade LGBTQIAPN+, então sei a importância de políticas reais de inclusão nas empresas. Fico muito feliz em saber que tivemos um impacto na vida dessas pessoas e pudemos fazer a diferença na cultura da companhia”, celebra Mercuri.

24Mar

Soul Web Connect – Ética Diversidade E Inclusão

No dia 12 de março, o Soul Web Connect recebeu o convidado Deives Rezende Filho para conversar sobre Ética, Diversidade e Inclusão.

Durante o programa, temas importantes foram abordados como o papel do conselho e da alta liderança, como montar um programa de inclusão bem sucedido nas empresas, além dos desafios para encontrar e atrair diversidade.

Confira o programa na íntegra