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Pesquisa com 112 lideranças no Brasil aponta que 55% acreditam que também “falaram demais” sobre assuntos privados no trabalho.

Um em cada quatro executivos do alto escalão já se arrependeu de publicar informações pessoais nas redes sociais e mais da metade (55%) acredita que “falou demais” sobre assuntos privados no ambiente de trabalho. A vontade de compartilhar temas domésticos é mais acentuada nos homens (52%) do que entre as mulheres (40%).

Os números são de uma pesquisa realizada pela Soul HR Consulting, consultoria de RH para executivos C-level, que ouviu 112 lideranças de empresas de grande e médio porte no Brasil, de diversos setores. O estudo, obtido com exclusividade pelo Valor, foi finalizado em dezembro de 2025.

“O objetivo foi compreender como talentos da alta gestão administram as fronteiras entre o público e o privado, especialmente quando o uso das redes sociais se tornou estratégico para a trajetória profissional”, explica Lucia Costa, sócia e responsável pela unidade de transição de carreiras executivas-outplacement da Soul HR Consulting.

De acordo com a especialista, o levantamento revela um contraste importante. “Embora 91% dos respondentes afirmem lidar bem com a exposição e o compartilhamento de informações pessoais no ambiente profissional, 55% reconhecem que já cometeram algum deslize e ‘falaram demais’”, analisa. “O dado evidencia que mesmo os profissionais seniores enfrentam dúvidas sobre o quê, como e quando compartilhar.”

Outro achado que chama a atenção na pesquisa é a diferença de atitude por gênero, continua. “Mais da metade ou 52% dos homens declaram já ter ‘falado demais’, contra 40% das mulheres”, aponta. “O resultado questiona um senso comum que associa o comportamento [de falar demais] às mulheres, um estereótipo que os dados não confirmam.”

Diante das conclusões do estudo, a recomendação da consultora é que os executivos façam uma leitura atenta da cultura da empresa e do contexto em que estão inseridos antes de compartilhar qualquer informação nas redes sociais ou na hora do cafezinho.

“É fundamental refletir sobre o impacto que se deseja gerar, se o registro agrega valor [ao trabalho] ou apenas expõe a pessoa de forma desnecessária”, aconselha. “Mesmo em conversas informais, trata-se de um cuidado para evitar ruídos e arrependimentos futuros.

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